Diálogos PPGCOM: Publicidade Contemporânea

Na última segunda-feira, 11 de maio, o Selo PPGCOM promoveu mais uma edição do quadro “Diálogos”, transmitido ao vivo pelo YouTube. O encontro reuniu dois pesquisadores que recentemente publicaram obras pelo Selo: Douglas Ferreira, autor de Como é trabalhar em uma agência de publicidade? Relatos das emoções vivenciadas no ambiente de trabalho publicitário, e Diego Belo, autor de Inebriante teimosia: notas, rotas e ritos do peripatético gráfico. Ambos dividiram a tela para apresentar seus trabalhos e, na sequência, dialogaram com perguntas da mediadora Vanessa Brandão e do público presente no chat.

Douglas Ferreira partiu de uma questão que lhe era pessoal: a vontade de transformar a pesquisa acadêmica em ferramenta para a docência. Ao olhar para o ambiente das agências de publicidade, escolheu como objeto a “planilha das agências”, um documento colaborativo feito no Google Planilhas, que circulou amplamente em 2018, reunindo mais de 2.500 relatos de publicitários de todo o Brasil sobre como era trabalhar em mais de 900 agências diferentes.

No seu livro, Ferreira viu ali uma oportunidade de juntar duas correntes do pensamento que, à primeira vista, parecem antagônicas: o pragmatismo e o marxismo. O pragmatismo olha para a comunicação como ação concreta no cotidiano e o marxismo oferece as ferramentas para compreender as estruturas macrossociais que condicionam essa ação. O resultado é uma leitura do trabalho publicitário como atividade profundamente contraditória, ao mesmo tempo criativa e alienante, fascinante e desgastante.

“O capitalismo é um sistema produtivo contraditório, então não seria diferente com a profissão do publicitário. Você é feliz e triste, você tem momentos de alegria e de sofrimento, você se realiza, mas você se destrói dentro das agências.”

Douglas Ferreira. na live.

 

Diego Belo chegou ao tema pela via do design gráfico e de uma pergunta que se tornou sua tese de doutorado: o que é, afinal, a mancha tipográfica? O termo designa o conjunto visual formado pelos elementos tipográficos dispostos em uma página, o espaço que o texto ocupa, os brancos ao redor, os ritmos entre linhas e parágrafos. É aquilo que o leitor percebe sem necessariamente nomear.

Tomando como ponto de partida o clássico Elementos do estilo tipográfico, de Robert Bringhurst, Belo propôs estudar esse manual da tradição tipográfica a partir de pesquisadores dedicados à teoria da imagem, com destaque para Georges Didi-Huberman, de quem o autor leu e referenciou 27 trabalhos ao longo da pesquisa. O resultado foi o conceito de peripatético gráfico, que define como “o gaio saber visual e inquieto provocado pela semelhança informe de uma impressão”.

O livro Inebriante teimosia não é a tese em si, mas a transcrição da arguição, o evento de defesa pública, editada e organizada pelo próprio Diego Belo em conjunto com seu orientador Bruno Martins.

“O meu objeto de pesquisa, então, é a mancha tipográfica, […] essa imagem que escapa de um projeto gráfico, de um livro, por exemplo. A mancha tipográfica é como a gente vai manipulando, montando a técnica na página, e o resultado daquilo tudo você apreende de forma visível.”

Diego Belo na live.

 

Os dois livros estão disponíveis gratuitamente no site do Selo PPGCOM: seloppgcomufmg.com.br. A gravação da live pode ser acessada no canal do YouTube do Selo.